terça-feira, 25 de setembro de 2007

Virtual ou presencial?

Esse tema tem MUITO a ver com o movimento da web atualmente. Hoje, o universo digital gira em torno de conteúdo, sua produção, espaços para publicação nos quais todos podem dispor das mesmas ferramentas, basta terem acesso.

Nessa vertente, observamos que o conteúdo triado tem cada vez menos espaço. O internauta quer participar, quer ter voz e atuação, quer selecionar a informação.

Recebi um link muito interessante sobre: The Ed Techie. Quem quiser ler todo o artigo, acho que vale realmente a pena para causar aquele incômodo típico do pensamento crítico. Está em Inglês.Mas uma parte em especial gostaria de citar, que diz respeito aos livros e suas publicações (meio editorial, de um modo geral).

No artigo, há um trecho que diz:

"Let’s consider a possible future example, that of books. When the web first became popular there were some suggestions that books would disappear since we could download free ones. This did not come to pass for a number of reasons:
1. Transportability – books are easy to carry about, and don’t run out of battery life, can be used on a train and don’t require a special device.
2. Ease of use – books don’t require special help programmes, can be used by most of the population, have good navigation features and are good at presenting text, compared with the small screens of some hand held devices.
3. Cultural value – we cherish books as social artifacts. Few things cause as much outrage amongst civilised people as seeing books being burnt or desecrated. People have a deep affection towards the tactile nature of a book."


Consumir e produzir cultura está cada vez mais caro e, ao contrário do movimento virtual de compartilhar, de possibilitar oportunidades que todos construam e de abertura, o mercado editorial está cada vez mais restrito, fechado e elitista.

Levando isso em consideração, somado aos altos preços dos livros no Brasil e a tendência de sociabilização e relacionamento interpessoal que observamos no mundo hoje, seria possível declarar que livro impresso está, realmente, com os dias contados. Dedução lógica. Mas isso é muito mais uma questão conceitual, de valor, do que uma profecia.

Em muitos casos, mais vale disponibilizar o texto livremente para qeue seja lido, linkado, conhecido, comentado... É muito mais vantajoso para qualquer autor fazer parte do imaginário e do quotidiano dos leitores do que ser publicado por uma editora pequena e, ao mesmo tempo, estar limitado por isso.

E essa dedução não está atrelada à compensação financeira! É uma questão de estar no mundo - visto que poucos autores têm a divulgação e repercussão mudial que Paulo Coelho, J.K. Rolling e Dan Brown, por exemplo. Nvamente, não está em questão a qualidade do conteúdo, pois isso é muito pessoal.

Por essa ótica, o mundo virtual é muito mais real que o presencial para mim. Isso representa uma inversão profunda no status de "estar no mundo". Qual mundo? Qual universo? Virtual ou presencial, ambos são reais. Formatos diferentes? Com certeza... Oportunidades semelhantes?

No virtual, ultrapassadas as barreiras do acesso - que poucos têm ainda - a sensação de oportunidades adquiridas, portas abertas, possibilidades a se conquistar é muito semelhante para todos. As diferenças atravessam do âmbito da exclusão social e alcançam um patamar de dedicação, participação, colaboração, aquilo que define QUEM você é no virtual e o que PRODUZIU dentro dele.

Não sei... Para mim, essa diferença parece um abismo olhando daqui, do meu ponto de vista.

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