É incrível como trabalhar com tecnologia, internet e novas ferramentas de interação mudam a nossa visão sistêmica das coisas. Lembro de quando comecei a trabalhar aqui na USP. Isso não faz nem um ano e meio, mas parece que faz uma eternidade! Eu era uma pessoa super metódica. Não conseguia fazer duas coisas ao mesmo tempo sem ficar angustiada. Tudo precisava seguir a sua ordem e só iniciava algo depois de terminar a tarefa anterior... Quem me conhece e aos meus processos criativos sabe bem do que estou falando.
Longínqua época essa!
Agora, sou outra pessoa! Não consigo trabalhar com menos de quatro abas em cada navegador... O memso se dá com os livros: estou escrevendo três ao memso tempo, sem perder o foco de cada um. Coisa de louco! Para vocês verem o que conseguimos fazer quando não sabemos do que NÃO somos capazes... Parafreseando o Jim Davis.
Então, nesse último final de semana, ao acompanhar meus colegas de trabalho a um workshop aqui mesmo, em São Paulo, paguei o maior "micom" dos últimos tempos.
Após um dia inteiro de trabalho pesado no hotel, raciocinando e produzindo... Peguei o cartão-chave do meu apartamento (chique, né? A chave do quarto era um cartão magnético), mala pendurada no ombro e me encaminhei para um banho rápido e revigorante, antes da próxima atividade começar. Meti o cartão na porta. Até aí, tudo bem. A luzinha ficou verde, forcei a maçaneta e entrei.
Tudo breu, como era de se esperar. Saí catando os interruptores e, quando consegui encontrar, já satisfeita pela vitória, as luzes não acenderam. Passei a pagar um mico a trás do outro desde esse momento: apertei os interruptores de todo o local; desliguei a chave de força e tornei a ligar; até bater palmas eu bati (para ver se era automático. aidna bem que não tive testemunhas no momento), tudo isso intercalado com contínuas saídas para o corredor porque, obviamente, a luz do corredor era a única que iluminava, mal e porcamente, o interior do apartamento.
Vencida e convencida de que alguma coisa estava quebrada, larguei a mala num canto e voltei à sala de atividades para falar com a Lu, poderosérrima secretária da gente, capaz de cortar caminho no trânsito caótico de São Paulo, fazer deliciosos pãos de mel e organizar workshops em uam semana (a mulher sabe tudo). Precisava perguntar para alguém como acender as luzes do quarto e a Lu me pareceu a melhor opção. Acho que não teria coragem de perguntar para mais ninguém. A resposta me matou:
- Você depositou o cartão num suporte atrás da porta?
- Não... - respondi.
- Se você não colocar o cartão nesse suporte, a luz não acende.
- Mas, Lu... - argumentei. - Como você sabia disso?
- Eu já fui a vários flats. É sempre assim... - e voltou a trabalhar com seu sorriso solícito.
Como diz a minha chefinha loira, "ser pobre é uma droga!" :D Micão... Mas como é que eu ia saber, né?
Ah... Quase me esqueci. Realmente, as luzes acenderam. Agora vocês já sabem: se forem a algum flat que abra a porta com cartões magnéticos, procurem atrás da porta ou na parede mais próxima algum tipo de lugar para enfiar o cartão. Do contrário, vão ficar todos no escuro.
Postado pela primeira vez em 12/06/2007
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Da revolução tecnológica das fechaduras à escuridão da ignorância
Postado por Tíssia Nunes às 07:46
Marcadores: crônica, humor, quotidiano
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