terça-feira, 25 de setembro de 2007

Bodovelhas a parte...

Com essa frente fria de doer os ossos e, tendo euzinha passado bastante frio em algumas ocasiões, resolvi dar crédito aos meteorologistas e procurar saber as tendências climáticas do dia antes de sair de casa. Talvez não achem válido, mas graças a magnífica previsão do tempo do "Bom Dia São Paulo" escrevo essas linhas agasalhada e quentinha! :)

E o que isso tem a ver com as Bodovelhas? Tudo!! Antes do jornal, tenho o privilégio de assistir os últimos momentos do "Globo Rural", instrumento de saber e conhecimento. Foi num momento desses, de profunda reflexão, que tive a oportunidade de perder a incrível matéria sobre o primeiro cruzamento espontâneo (e bem sucedido, pasmem) entre um bode e uma ovelha.

Perdi a reportagem, mas a Renata não. E ela, meiga e fofa, se incumbiu de me contar com todos os detalhes a linda história de amor, que começou com os enamorados lutando pelo direito de ficar juntos, mesmo quando toda a sociedade (lê-se os donos e/ou a natureza em si) criou obstáculos para esse relacionamento pitoresco.

Um aparte para quem não sacou a crise: os casais corretos são: bodes e cabras; carneiros e ovelhas. Logo, subentendemos que bodes e ovelhas, por pertencerem a espécies diferentes apesar de estarem na mesma imensa e calorosa família dos quadrúpedes mamíferos, não deveriam ficar juntos. Ou, caso copulassem, a própria natureza de incumbiria de tornar a união infértil.

Bom, para não levantar problemas políticos mais sérios, visto que a maioria das pessoas anda com certa tendência a entrar ou apoiar aglutinações reivindicatórias esses últimos dias, me apresso em dar a notícia: o bebê dessa união já nasceu, gente! E, contrariando as expectativas... Está vivinho da silva!

Mas encurtei a história. Que triste. Só para resumir, o bode, perdido de amor pela ovelha alheia, se desinteressou de todas as fêmeas comuns, ou seja, as cabras. Não cobria ninguém mais, aguardando ansiosamente o cio da ovelhinha. Quando aconteceu, tiveram de confinar o bicho num cercadinho de condições precárias: chão de terra batida, ração de boa qualidade apenas três vezes por dia, petiscos baratos como grama entre as refeições. Imaginem só, dar grama para um bode daquele porte! Espero que ele reivindique seus direitos...

Enfim, no final de tanta aporrinhação (porque mulher é foda e a ovelha também não deu sossego), o dono resolveu soltar os bichos e deixar fluir o curso natural das coisas. "O que pode acontecer?", perguntou o criador. A resposta está aí, mamando com vontade depois de uma gestação tranqüila: algo entre um bode e uma ovelha.

Sou a favor dos direitos de identidade de todos os seres. Não dá para chamar um filhotinho daqueles de... "coisa"! Foi quando surgiu o termo BODOVELHA, sonoramente harmonioso, define com exatidão o resultado da liberdade de amor que sobrepôs a natureza.

Agora eu pergunto, com sinceridade... Realmente existe espaço para críticas a credo, cor da pele e relacionamentos homossexuais num mundo que já possui uma bodovelha?

Postado pela primeira vez em 24/05/2007

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