Esse tema tem MUITO a ver com o movimento da web atualmente. Hoje, o universo digital gira em torno de conteúdo, sua produção, espaços para publicação nos quais todos podem dispor das mesmas ferramentas, basta terem acesso.
Nessa vertente, observamos que o conteúdo triado tem cada vez menos espaço. O internauta quer participar, quer ter voz e atuação, quer selecionar a informação.
Recebi um link muito interessante sobre: The Ed Techie. Quem quiser ler todo o artigo, acho que vale realmente a pena para causar aquele incômodo típico do pensamento crítico. Está em Inglês.Mas uma parte em especial gostaria de citar, que diz respeito aos livros e suas publicações (meio editorial, de um modo geral).
No artigo, há um trecho que diz:
"Let’s consider a possible future example, that of books. When the web first became popular there were some suggestions that books would disappear since we could download free ones. This did not come to pass for a number of reasons:
1. Transportability – books are easy to carry about, and don’t run out of battery life, can be used on a train and don’t require a special device.
2. Ease of use – books don’t require special help programmes, can be used by most of the population, have good navigation features and are good at presenting text, compared with the small screens of some hand held devices.
3. Cultural value – we cherish books as social artifacts. Few things cause as much outrage amongst civilised people as seeing books being burnt or desecrated. People have a deep affection towards the tactile nature of a book."
Consumir e produzir cultura está cada vez mais caro e, ao contrário do movimento virtual de compartilhar, de possibilitar oportunidades que todos construam e de abertura, o mercado editorial está cada vez mais restrito, fechado e elitista.
Levando isso em consideração, somado aos altos preços dos livros no Brasil e a tendência de sociabilização e relacionamento interpessoal que observamos no mundo hoje, seria possível declarar que livro impresso está, realmente, com os dias contados. Dedução lógica. Mas isso é muito mais uma questão conceitual, de valor, do que uma profecia.
Em muitos casos, mais vale disponibilizar o texto livremente para qeue seja lido, linkado, conhecido, comentado... É muito mais vantajoso para qualquer autor fazer parte do imaginário e do quotidiano dos leitores do que ser publicado por uma editora pequena e, ao mesmo tempo, estar limitado por isso.
E essa dedução não está atrelada à compensação financeira! É uma questão de estar no mundo - visto que poucos autores têm a divulgação e repercussão mudial que Paulo Coelho, J.K. Rolling e Dan Brown, por exemplo. Nvamente, não está em questão a qualidade do conteúdo, pois isso é muito pessoal.
Por essa ótica, o mundo virtual é muito mais real que o presencial para mim. Isso representa uma inversão profunda no status de "estar no mundo". Qual mundo? Qual universo? Virtual ou presencial, ambos são reais. Formatos diferentes? Com certeza... Oportunidades semelhantes?
No virtual, ultrapassadas as barreiras do acesso - que poucos têm ainda - a sensação de oportunidades adquiridas, portas abertas, possibilidades a se conquistar é muito semelhante para todos. As diferenças atravessam do âmbito da exclusão social e alcançam um patamar de dedicação, participação, colaboração, aquilo que define QUEM você é no virtual e o que PRODUZIU dentro dele.
Não sei... Para mim, essa diferença parece um abismo olhando daqui, do meu ponto de vista.
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Virtual ou presencial?
Postado por Tíssia Nunes às 11:28 0 comentários
Marcadores: ponto de vista, presencial, publicação, tecnologia, virtual
Coisas que importam...
Estive no Rio esse feriado, visitando a minha família. Vazia 6 meses que não via minha mãezinha, meu pai, minha irmã (uma das pessoas mais amadas da minha vida) e a minha sobrinha (seria a outra pessoa mais amada da minha vida, junto com a minha irmã). Ela está com oito meses e eu só a havia visto uma vez. Na outra viagem, fiquei muito pouco tempo, não pude aproveitar a Giulia, até porque era muito pequenininha e tinha receio de pegar, sabem?
Agora, ela está maior, ainda mais linda e perfeita... E foi muito importante poder passar uma tarde com minha irmã, minha sobrinha e meu cunhado querido, como nos velhos tempos: conversando, curtindo a simples presença deles e, claro, brincando e beijando a minha sobrinha - quando ELA estava disposta, porque jamais imporia a minha presença a uma criança tão linda e inocente.
Foi MUITO especial mesmo... Tiramos várias fotos (QUERO AS MINHA FOTOS, HEIN). Isso me deixa ainda com mais saudade, mas vou me dedicar a passar um dia por mês só com eles, com minha irmã, minha bonequinha e o Nando, se ele puder. Me senti amada de verdade e isso é muito bom.
Daí, fica esse vazio agora... Essa saudade - dolorida mas boa de se sentir. E o Dalton, colega meu de trabalho e os meus "colegas" são praticamente como uma família para mim, visto que passo masi tempo com eles do que com qualquer outra pessoa, me enviou uma mensagem linda que quero muito colocar aqui e dedicar essas palavras à Giulia, para que ela tenha apoio, amor e sabedoria ao fazer suas escolhas, no futuro. Sempre desejo essas coisas. E sei que ela será sempre muito feliz.
Beijos para todos.
"A não ser que você se dê conta de que tem o poder de dizer não, você nunca poderá realmente dizer sim. A seus relacionamentos, a seu trabalho, a sua vida, a qualquer coisa. Você não precisa esperar para fazer mudanças positivas de impacto. Você não precisa ir à escola, você não precisa ir ao trabalho, você não precisa ir à guerra, você não precisa ser casado ou ter filhos... ou agir de forma que outras pessoas esperam ou querem. Apenas reconhecer que cada ação ou não ação tem conseqüências e que sua disposição para aceitar esta conseqüência lhe dá o poder e a liberdade para escolher quem você é, onde você está e o que você vai fazer. É neste momento que a vida muda de uma obrigação para uma oportunidade abençoada. É neste momento que o milagre acontece."
(Dan Millman)
Postado pela primeira vez em 10/07/2007
Postado por Tíssia Nunes às 07:54 0 comentários
Sempre em frente
Recebi a mensagem abaixo de um amigo e colega de trabalho, num momento em que duvidava de mim mesma e o ressentimnto orpimia meu coração. Como estou sempre atenta a todos os sinais que nos são dados pelo Cosmos, esse não me passou despercebido, claro. Semrpe recebemos as respostas às nossas aflições, mesmo que não estejamos esperando por elas.
Beijos para todos. Hariel
"CÓDIGO DE ÉTICA DOS INDÍGENAS NORTE-AMERICANOS
Existem muitas variações deste código pela internet, a maioria com atribuições anônimas. A fonte mais antiga que podemos achar, no momento, para o Código de Ética é de 1982, da Four Worlds Development Project (Universidade de Lethbridge, Alberta), fundado por Phil Lane Jr, um membro das nações Yankton Dakota e Chickasaw. Outra versão mais elaborada foi publicada pelo "Inter-Tribal Times" em outubro de 1994. Como o código é uma tradição oral, sujeita a variações, vejamos a versão mais antiga, de 1982:
1. Dê graças ao Criador toda manhã após acordar e toda noite antes de dormir.
2. Busque a força e a coragem para ser uma pessoa melhor.
3. Mostrar respeito é uma lei fundamental da vida.
4. Respeite a sabedoria das pessoas reunidas em um Conselho. Uma vez que você dá uma idéia, ela não mais pertence a você; pertence a todo mundo.
5. Seja verdadeiro a toda hora.
6. Sempre trate seus convidados com honra e consideração. Dê sua melhor comida e confortos para seus convidados.
7. A mágoa de um é a mágoa de todos. A honra de um é a honra de todos.
8. Receba estranhos e pessoas de fora amavelmente.
9. Todas as raças são filhas do Criador e devem ser respeitadas.
10. Servir outros, ser de valia à família, comunidade, ou nação é um dos propósitos principais para o qual as pessoas foram criadas. A felicidade verdadeira vem para aqueles que dedicam suas vidas para o serviço aos outros.
11. Observe moderação e equilíbrio em todas as coisas. Saiba das coisas que levam ao seu bem-estar e das coisas que levam a sua destruição.
12. Escute e siga a direção dada pelo seu coração. Espere esta direção de muitas formas: Em orações; Em sonhos; Em solidão; E nas palavras e ações de Anciões e amigos."
Postado pela primeira vez em 20/08/2007
Postado por Tíssia Nunes às 07:52 0 comentários
Marcadores: mensagem, quotidiano, sinais
Despedidas e Encontros
Esse final de semana foi dedicado ao ócio. Primeiro que eu estava super cansada mesmo... Cansada do ritmo do trabalho (mais de um ano e dois meses sem parar!), cansada da minha sinusite bizarra que não me larga, de ter que tomar remédio... Cansada de saudade da minha irmã, da minha sobrinha e do meu pai. Acho que tô de TPM. :P
A propósito, foi no fotoblog da Giulia e vi MUITAS fotos lindas por lá. É sempre bom visitar o fotoblog dela proque vejo essa fofura e também a minha irmã, a quem amo muito e sinto muita falta. É quase como se eu estivesse me encontrando com elas... Apesar de não poder ouvir suas vozes nem receber o brilho de seus olhares.
Tá... Vou dar o gostinho, mas só um pouco.
Elas não são simplesmente LINDAS DE MORRER? Minha irmã sempre detestou quando eu falava isso para as pessoas. :) Beleza é de fato algo subjetivo, mas nesse caso, stou falando por mim: eu acho as duas lindas e maravilhosas.
E a despedida? Pois é... Ontem fui à despedida da minha chefe, que vai para Londres na quarta-feria agora. Foi muito divertido... O bar era legal pacas... Só não precisava ter ouvido "Take on me", do A-Ha. Não que eu não goste de A-Ha. Ao contrário! Adoro... Mas eu não precisava do "i'll be gone in a day or two", não concordam? :(
Tô triste e cheia de saudade. Isso é um perigo, principalmente perto da minha TPM.
Postado pela primeria vez em 19/07/2007
Postado por Tíssia Nunes às 07:48 0 comentários
Da revolução tecnológica das fechaduras à escuridão da ignorância
É incrível como trabalhar com tecnologia, internet e novas ferramentas de interação mudam a nossa visão sistêmica das coisas. Lembro de quando comecei a trabalhar aqui na USP. Isso não faz nem um ano e meio, mas parece que faz uma eternidade! Eu era uma pessoa super metódica. Não conseguia fazer duas coisas ao mesmo tempo sem ficar angustiada. Tudo precisava seguir a sua ordem e só iniciava algo depois de terminar a tarefa anterior... Quem me conhece e aos meus processos criativos sabe bem do que estou falando.
Longínqua época essa!
Agora, sou outra pessoa! Não consigo trabalhar com menos de quatro abas em cada navegador... O memso se dá com os livros: estou escrevendo três ao memso tempo, sem perder o foco de cada um. Coisa de louco! Para vocês verem o que conseguimos fazer quando não sabemos do que NÃO somos capazes... Parafreseando o Jim Davis.
Então, nesse último final de semana, ao acompanhar meus colegas de trabalho a um workshop aqui mesmo, em São Paulo, paguei o maior "micom" dos últimos tempos.
Após um dia inteiro de trabalho pesado no hotel, raciocinando e produzindo... Peguei o cartão-chave do meu apartamento (chique, né? A chave do quarto era um cartão magnético), mala pendurada no ombro e me encaminhei para um banho rápido e revigorante, antes da próxima atividade começar. Meti o cartão na porta. Até aí, tudo bem. A luzinha ficou verde, forcei a maçaneta e entrei.
Tudo breu, como era de se esperar. Saí catando os interruptores e, quando consegui encontrar, já satisfeita pela vitória, as luzes não acenderam. Passei a pagar um mico a trás do outro desde esse momento: apertei os interruptores de todo o local; desliguei a chave de força e tornei a ligar; até bater palmas eu bati (para ver se era automático. aidna bem que não tive testemunhas no momento), tudo isso intercalado com contínuas saídas para o corredor porque, obviamente, a luz do corredor era a única que iluminava, mal e porcamente, o interior do apartamento.
Vencida e convencida de que alguma coisa estava quebrada, larguei a mala num canto e voltei à sala de atividades para falar com a Lu, poderosérrima secretária da gente, capaz de cortar caminho no trânsito caótico de São Paulo, fazer deliciosos pãos de mel e organizar workshops em uam semana (a mulher sabe tudo). Precisava perguntar para alguém como acender as luzes do quarto e a Lu me pareceu a melhor opção. Acho que não teria coragem de perguntar para mais ninguém. A resposta me matou:
- Você depositou o cartão num suporte atrás da porta?
- Não... - respondi.
- Se você não colocar o cartão nesse suporte, a luz não acende.
- Mas, Lu... - argumentei. - Como você sabia disso?
- Eu já fui a vários flats. É sempre assim... - e voltou a trabalhar com seu sorriso solícito.
Como diz a minha chefinha loira, "ser pobre é uma droga!" :D Micão... Mas como é que eu ia saber, né?
Ah... Quase me esqueci. Realmente, as luzes acenderam. Agora vocês já sabem: se forem a algum flat que abra a porta com cartões magnéticos, procurem atrás da porta ou na parede mais próxima algum tipo de lugar para enfiar o cartão. Do contrário, vão ficar todos no escuro.
Postado pela primeira vez em 12/06/2007
Postado por Tíssia Nunes às 07:46 0 comentários
Marcadores: crônica, humor, quotidiano
Roda Viva
"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino pra lá
(...)
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira pra lá
(...)
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola pra lá
(...)
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração (...)"
(Roda Viva, Chico Buarque de Holanda)
***
E, nessa vida louca, que escorre pelos dedos ou roda feito peão, quem é qeu nunca se sentiu numa roda gigante, certo de que o tempo acabou?
Postado pela primeira vez em 28/05/2007
Postado por Tíssia Nunes às 07:45 0 comentários
Marcadores: música
Bodovelhas a parte...
Com essa frente fria de doer os ossos e, tendo euzinha passado bastante frio em algumas ocasiões, resolvi dar crédito aos meteorologistas e procurar saber as tendências climáticas do dia antes de sair de casa. Talvez não achem válido, mas graças a magnífica previsão do tempo do "Bom Dia São Paulo" escrevo essas linhas agasalhada e quentinha! :)
E o que isso tem a ver com as Bodovelhas? Tudo!! Antes do jornal, tenho o privilégio de assistir os últimos momentos do "Globo Rural", instrumento de saber e conhecimento. Foi num momento desses, de profunda reflexão, que tive a oportunidade de perder a incrível matéria sobre o primeiro cruzamento espontâneo (e bem sucedido, pasmem) entre um bode e uma ovelha.
Perdi a reportagem, mas a Renata não. E ela, meiga e fofa, se incumbiu de me contar com todos os detalhes a linda história de amor, que começou com os enamorados lutando pelo direito de ficar juntos, mesmo quando toda a sociedade (lê-se os donos e/ou a natureza em si) criou obstáculos para esse relacionamento pitoresco.
Um aparte para quem não sacou a crise: os casais corretos são: bodes e cabras; carneiros e ovelhas. Logo, subentendemos que bodes e ovelhas, por pertencerem a espécies diferentes apesar de estarem na mesma imensa e calorosa família dos quadrúpedes mamíferos, não deveriam ficar juntos. Ou, caso copulassem, a própria natureza de incumbiria de tornar a união infértil.
Bom, para não levantar problemas políticos mais sérios, visto que a maioria das pessoas anda com certa tendência a entrar ou apoiar aglutinações reivindicatórias esses últimos dias, me apresso em dar a notícia: o bebê dessa união já nasceu, gente! E, contrariando as expectativas... Está vivinho da silva!
Mas encurtei a história. Que triste. Só para resumir, o bode, perdido de amor pela ovelha alheia, se desinteressou de todas as fêmeas comuns, ou seja, as cabras. Não cobria ninguém mais, aguardando ansiosamente o cio da ovelhinha. Quando aconteceu, tiveram de confinar o bicho num cercadinho de condições precárias: chão de terra batida, ração de boa qualidade apenas três vezes por dia, petiscos baratos como grama entre as refeições. Imaginem só, dar grama para um bode daquele porte! Espero que ele reivindique seus direitos...
Enfim, no final de tanta aporrinhação (porque mulher é foda e a ovelha também não deu sossego), o dono resolveu soltar os bichos e deixar fluir o curso natural das coisas. "O que pode acontecer?", perguntou o criador. A resposta está aí, mamando com vontade depois de uma gestação tranqüila: algo entre um bode e uma ovelha.
Sou a favor dos direitos de identidade de todos os seres. Não dá para chamar um filhotinho daqueles de... "coisa"! Foi quando surgiu o termo BODOVELHA, sonoramente harmonioso, define com exatidão o resultado da liberdade de amor que sobrepôs a natureza.
Agora eu pergunto, com sinceridade... Realmente existe espaço para críticas a credo, cor da pele e relacionamentos homossexuais num mundo que já possui uma bodovelha?
Postado pela primeira vez em 24/05/2007
Postado por Tíssia Nunes às 07:44 0 comentários
Marcadores: crônica, humor, quotidiano
Ausência
"Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada".
(Vinícius de Morais, in Antologia poética)
* * *
Estou retomando a idéia de ter um blog depois de um longo de tenebroso inverno pensando a respeito! Estou com saudades: de escrever, de sonhar, de ser um pouco mais "pés nas nuvens"... Faz bem voar, tão bem quanto mergulhar em si mesmo. E o mar de incertezas que é a vida acaba, de vez em quando, nos arrastando ao mesmo ponto em que começamos. Não, não é o meu caso! ;) Não começo do mesmo ponto, mas um recomeço exige, quase sempre, uma reflexão daquilo que já passou. Não é verdade?
Postado a primeira vez em 22/05/2007
Postado por Tíssia Nunes às 07:40 0 comentários
Marcadores: poesia
